Suspeito do Costume

Os ecados são muitos mas eu só conto sete…

Dolce Far Niente

Acordei de cara lavada com o sono trancado na mão fechada. O dia corre morno lá fora, tal como a vida cá dentro. Não sei porque escolhemos viver uma vida morna, mas é tão mais fácil assim. Acordar à hora que as galinhas se deitam, acabar com os restos de um almoço já frio, deixado na esperança de eu acordar ainda antes do jantar e ficar a ver o dia passar entre um comando de TV e um sofá preguiçoso. Já o Sol se escondeu atrás da varanda quando os meus pés ganham coragem para pousar no chão e cedem ao capricho do estômago que já se queixa há várias horas. A vida passa em grande parte por ceder aos caprichos do corpo. Comemos, bebemos, respiramos, dormimos… Tudo perdas de tempo. Tempo esse que podia ser aproveitado para fazer o que realmente interessa: Nada! Pois é, as férias trazem ao de cima esta imensa e incontrolável vontade de não fazer rigorosamente nada. Ao fim do dia recebo um telefonema de um amigo que me pergunta o que tenho feito, e eu respondo orgulhoso “Não tenho feito rigorosamente nada!” e sorrio por dentro. Isto acaba com qualquer hipótese de diálogo que poderia existir durante aquele telefonema que não demora mais que um minuto, ao fim do qual eu volto para o que estava a fazer antes de atender… Nada. Esta imensa vontade de me superar dia após dia fazendo cada vez menos tornou-se num projecto de verão. O ócio é uma droga sem ressaca, que sabe muito melhor e é grátis… Porque não consumi-la? Overdose de ócio nunca fez mal a ninguém… É pena o longo periodo de desintoxicação quando a faculdade recomeça e obriga o corpo a abandonar estes hábitos entranhados entre a vontade de não fazer nada e a certeza de não estarmos a fazer coisa nenhuma. E mais uma vez, temos de ceder ao capricho do corpo e mudar os hábitos que tanto prazer nos deram ao longo de 3 meses. Já a noite vai longa quando me sento aqui para escrever… Não sei bem o que dizer, talvez contar ás pessoas o que fiz hoje? Mas eu não fiz nada hoje… Então é isso, não vou escrever nada… Mas não foi o que acabei de fazer? São precisas tantas linhas para não escrever nada? Tenho de me superar amanhã…

PS: Sim estou de volta, precisava de uma cara nova, de mudar de ares e deixar para trás o peso de uma reputação construída ao longo de anos que já não me deixava respirar. Esqueçam o blog antigo. É neste que devem confiar a vossa vida a partir de hoje.

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