Suspeito do Costume

Os ecados são muitos mas eu só conto sete…

Fim da trilogia

Caso Resolvido  

Não foi preciso ir muito longe para encontrar o Napoleão de Chocolate.

A noite estava calma depois de um dia quente. O rádio acabava de me mudar os planos, com um acidente de última hora. E como foi oportuno esse acidente. Meia volta de pneus a chiar e um carro a desaparecer na esquina a seguir à paragem do 87. Era o mesmo Audi da noite anterior, mas a condução era diferente. Galguei os metros que nos separavam com a destreza de quem quer agrafar as folhas deste caso e ir dormir para a cama quente que tenho em casa. Ele não mostrava intenção de ceder e eu mostrava que sou mais teimoso. A luz dos faróis misturava-se com o alcatrão e os pneus patinavam em grãos de areia espalhados ao acaso por um camião mais confuso. Com a paciência a esgotar-se e as mãos a tremer de ansiedade o Napoleão de Chocolate fez uma última tentativa de me mandar para a cama mais cedo. Na entrada da curva, cortou a direito como quem vai em frente, no espaço deixado entre a árvore e a boca de incêndio. Porém, foi traído por um semáforo que não contava que um carro passasse por ali, e não se desviou, fazendo com que o Napoleão baralhasse os estofos com o motor, numa salada de metal com chocolate. Não satisfeito resolveu continuar a pé. Galgou o separador e correu, como se o amanhã fosse mentira, jardim fora. Contudo, o azar bateu-lhe à porta mais uma vez. A Bola de Berlim, a melhor amiga do Padeiro, encontrava-se por ali com um cão pela trela, a contar os espaços entre as pedras do passeio. Apercebendo-se da situação, estendeu o pé e o Napoleão de Chocolate esborrachou-se na estrada. Posteriormente foi detido e levado para interrogatório. Acabou portanto por confessar o motivo do homicídio. Dias antes o padeiro apanhou o Napoleão aos amassos com um Éclair de rua, daqueles que se comem por meio cêntimo em qualquer café de esquina. Ameaçou tirá-lo da montra devido à má imagem e aos boatos que circulavam acerca do modo leviano e burguês com que o Napoleão regia a sua vida privada. A justiça portuguesa manda que cada caso tenha um culpado, e eu acabo de encontrar o meu. Durmam bem e até amanhã.

 

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2 Responses

  1. Nilza says:

    Hummmm….acho que a tua história acabou mt abruptamente, ou então não lhe deste um final à altura! Na minha humilde opinião, tinhas criatividade para mais…mas mts vezes é assim, a história é boa, mas o fim sempre nos desilude um pouco! ;)

    Mas continuas a ser o meu escritor feio preferido!lolol

    Bejim :*

  2. Suspeito says:

    O fim é abrupto, mas a vida também é abrupta. Nem tudo são contos de fadas. E neste caso, eu sinto necessidade de escrever sobre outros assuntos. Talvez por isso tenha sido mais abrupto do que seria de esperar e peço desculpa por isso :)

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