Suspeito do Costume

Os ecados são muitos mas eu só conto sete…

Saco de Gomas

Leves dias,
Intensas magias…
Brotam suaves aromas
De um saco de gomas

***

Enquanto o meu cansaço
Se acalma no teu abraço,
A noite cai sozinha,
Numa rua que não é minha.

***

Eu não sei escrever
Mas tu não sabes ler
Somos felizes, calados
Nesta concha, fechados

***

O livro que escreveste
Só tem uma página.
A fotocopia que me deste,
Diz que é aqui que termina.

Beijo


Este Natal quero
um beijo verdadeiro, daqueles com sabor e cheiro, sem pressa de acabar.
Não quero um beijo rouco, daqueles que sabem a pouco, tímidos e de lingua escondida, com a saliva quase esquecida, sem nariz no final.
Quero um beijo sincero, que me queira tanto como eu o quero, com a força de um animal.
Não quero um beijo mortal, porque o meu beijo tem de ser eterno, mesmo que eu vá para o inferno!
Quero um beijo provocante, durante dias a fio, que me sirva de calmante, neste mundo sombrio.
Não quero um beijo carnal, sem um sentimento verdadeiro… Não quero mais ser banal, em vez de amar por inteiro!
Quero um beijo egoista, como numa página de revista ou nas folhas dos jornais… Quero um beijo daqueles que não se esquecem nunca mais!

Inverno

Já passou tanto tempo desde a última vez que escrevi, que já nem me lembro como se começa. Parece-me que acabei de o fazer, embora não tenha escrito nada de jeito ainda, e por este andar não é hoje que começo. Olhei pela janela e fiquei com frio. Detesto dias assim, molhados cinzentos e frios. O vento provoca-me lá de fora. Ele sabe que eu tenho de ir trabalhar. Está só à espera do momento certo para me atirar com o primeiro aguaceiro da noite. Também sei que logo à noite, depois de cinco horas a fingir que trabalho, no tão ansiado regresso a casa, o nevoeiro me vai tapar os olhos durante todo o caminho, sem deixar que o carro passe os 50km/h, só para me atrasar mais um bocadinho para dar tempo ao vento de reunir mais umas quantas nuvens para me atirar. Por fim vou chegar a casa, de volta ao marasmo deste canto de onde vos escrevo, e vou olhar de novo por esta janela e desejar nunca ter saído. Depois, vou-me deitar chateado com a vida, com o tempo, com o Inverno e com quem inventou os kispos. Não suporto dias como o hoje. Nem os kispos! Se amanhã estiver assim, não me acordem!

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